quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Mulher negra também ama! As trajetórias de solidão das mulheres negras no Brasil

Solidão e Racismo
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          A Revista Fórum em publicação no dia 10/09 do corrente ano trouxe uma matéria bastante elucidativa sobre uma temática ainda pouco abordada, ou mesmo vista em variados setores da sociedade brasileira: a questão da afetividade das mulheres negras, ou seja seus relacionamentos amorosos, suas construções familiares, suas trajetórias de vida.
          O processo de escravidão que provocou a diáspora africana trouxe consigo a marca da solidão, da subalternação, e da construção de uma mulher negra servil, tanto no âmbito social, amoroso, quanto no sexual. Segundo dados do Censo do IBGE de 2010 mais da metade das mulheres negras no Brasil não vivem em comunhão, isso nos remente a uma questão histórica e social, de que as nossas relações afetivas foram e são construídas através dos processos de segregação entre brancos e negros e pelo machismo que vem agravar essa situação.
Mulheres Negras
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         No mercado matrimonial as mulheres negras saem em desvantagem com relação as mulheres brancas, pois essas últimas são aceitas como o padrão ideal para o casamento, são as "boas moças" que desde a colônia tem um "papel de respeito perante a sociedade", enquanto as negras pela sua cor, cabelos, aparência e lugar social em que sempre foram postas não são para casar.
         Os homens negros reproduzem esses discursos no sentido de perpetuá-los, pois uma parcela significativa desses homens casam-se com mulheres brancas e em muitos casos as negras servem como amantes ou "diversão sexual". Não estou aqui dizendo que não sou a favor dos casamentos inter-raciais, mas quando olhamos alguns dados e as próprias configurações da sociedade brasileira percebemos que há algo de muito errado nessa conjectura.
       
Mulher Negra
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          Essas constatações se apoiam em duas crenças que estão entranhadas em nossa cultura: o Racismo, por defender a superioridade de uma cor em relação a outra, e o Machismo que tenta diminuir o ser e o papel da mulher na sociedade. A mídia também tem contribuído de forma significativa e determinante na divulgação e perpetuação de esteriótipos negativos com relação as mulheres negras, com comerciais, novelas e seriados em que as colocam em papéis subalternos e na maioria das vezes em núcleos familiares sem a presença do marido. Isso acaba internalizando no imaginário social que a mulher por ser negra não merece amar ou ser amada, que seu lugar, que antes era na senzala ou na cozinha da sinhazinha, agora é na periferia e nos trabalhos domésticos das madames das cidades.
         
Odara
Artista plástico Muha Bazila
           Não estou aqui reproduzindo um discurso histórico totalitário, no sentido de que todas as mulheres negras do Brasil são vitimadas pela solidão. Mas diante de diversas pesquisas, estudos e a luta de diversas mulheres é notável que uma parcela de mulheres negras se encontram nesta situação, e que merecem um olhar diferenciado no tocante as suas relações afetivas e sociais, sem mencionar a construção histórica e social das mulheres negras no Brasil, assim como o próprio racismo que tenta naturalizar todas essas questões. Mas apesar dos teriótipos negativos, a mulher negra também ama, se apaixona, tem o direito de ser amada, por que acima da cor ou de qualquer diferença somos humanos.
         Para conhecer mais sobre a temática e vocês construírem seus próprios pontos de vista, disponibilizo abaixo alguns links importantes que serviram de base para a produção desse artigo:


          Sintam-se a vontade e convidados a comentar sobre o artigo, ou mesmo nos dar sugestões de futuras publicações.


Por Ana Paula de Lima

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