quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Documentário Atlântico Negro - Na Rota dos Orixás

Atlântico Negro - Na Rota dos Orixás
Google Imagens, 2016
         O documentário "Atlântico Negro - Na Rota dos Orixás", produzido em 1998 por Renato Barbieri e pelo historiador Victor Leonardi, traz em sua sonoridade e imagens a riqueza cultural africana e afro-brasileira, no que tange, principalmente, a religiosidade, assim como também, a importância desse continente para a construção da sociedade brasileira.
        Um dos pontos chaves do filme é a desconstrução das visões etnocêntricas e preconceituosas que temos em reação ao continente africano, como um lugar atrasado no tempo e no espaço, permeado de mazelas sociais, sem vida, sem história, mostrando  seu lado cultural que deu origem ao Candomblé na Bahia, ao Xangô em Pernambuco, ao Tambor de Minas no Maranhão, e a tantas outras religiões afro-brasileiras que trazem consigo as tradições dos lugares situados do outro lado do Atlântico.
         Desconstruir essas imagens negativas da África e tecer outros olhares sobre suas sociedades nos auxilia a compreender a nossa própria história, tanto no que se refere aos hábitos sociais, quanto aos costumes oriundos desse continente.
   O documentário traz personagens com Pai Euclides, Sacerdote da Casa Fanti Ashanti em São Luís no Maranhão, que inicia a narrativa enviando uma mensagem para Vodunon Avimanjá-Non, chede do Templo de Avimange, em Oidá, em Benin, de onde vieram, para o Brasil, muitos homens, mulheres e crianças durante mais de três séculos de escravidão negra, carregando em seus corações e memórias suas formas de pensar, sentir e fazer, ou seja, suas identidades sociais, culturais e religiosas.
           O documentário se mostra uma ótima oportunidade para professores, estudantes, pesquisadores e demais interessados em conhecer mais sobre as relações, mais que intrínsecas, entre África e Brasil, e o que resulta do encontro entre sociedades separadas por um oceano, e aproximadas pelas vivências, pela ancestralidade e pela riqueza cultural e social transportadas nos porões imundos dos navios negreiros, que saíam da África com destino ao Brasil,  e para outros países da América.
   Confira o documentário "Atlântico Negro- Na Rota dos Orixás:

       
       Vamos ampliar os horizontes, compreender a nossa história, a nossas tantas histórias, e aceitar a nossa ancestralidade africana que pulsa em nossa cultura, em nossos costumes, em nossas religiões.

Por Ana Paula de Lima

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Dica de Leitura: Livro Onda Negra Medo Branco, O Negro no Imaginário das Elites do século XIX

Capa do Livro "Onda Negra Medo Branco"
Google Imagens, 2016
          Livro de Célia Maria Marinho de Azevedo, "Onda Negra, Medo Branco, o negro no imaginário das elites do século XIX, traz discussões interessantes que nos auxiliam a pensar e refletir quais as representações dos negros no século XIX a partir de um olhar da elite brasileira. 
          A obra se estrutura a partir de duas questões bases: 1° O que fazer com os negros quando a escravidão chegar ao fim? e 2° Como impedir um final brusco da escravidão, deixando a solta e sem nenhuma regra uma imensa população de negros e mestiços pobres em um país regido por uma minoria de ricos proprietários brancos?
          O livro é dividido em quatro capítulos:
1° Em busca de um povo (Projetos emancipatórios Projetos Imigrantistas; e Projetos Abolicionistas);
2° Os Políticos e a "Onda Negra" (A batalha contra o tráfico; O nacional livre em debate; O sentido racista do imigrantismo; O grande avanço imigrantista; e O imigrantista consolidado);
3° O "Não Quero" dos Escravos (Crime de escravos; Revoltas, fugas e apoio popular; e A pátria em perigo! Pela união Nacional!); e,
4° Abolicionismo e Controle Social (A defesa da ordem; Denúncia de racismo; e Integração e cidadania).
         Para conferir o livro na íntegra segue o link para baixá-lo: Onda Negra Medo Branco, O negro no imaginário das elites do século XIX.

Boa leitura a todos...


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Dica de Documentário de Hoje: A Tradição do Bará do Mercado

Poster de Divulgação do Documentário
'Tradição do Bará do Mercado
Google Imagens, 2016.
         O Documentário "A Tradição do Bará do Mercado" lançado em 2007, traz o relato de sete religiosos de matriz africana, abordando o fundamento afro religioso conhecido como "Bará do Mercado Público", o qual nos leva a conhecer as experiências urbanas desses personagens negros na cidade de Porto Alegre.
          O documentário tem a direção da Antropóloga Ana Luiza Carvalho da Rocha que integra, juntamente, com Cornelia Ecket o Banco de Imagens e Efeitos visuais do Programa de Pós Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
         O documentário traz como entrevistados: Adãozinho do Bará, Mãe Norinha de Oxalá, Mestre Borel,Mãe Maria de Oxum, Mãe Angélica de Oxum, Pai Nilson de Oxum, Babadiba de Iemanjá, que integram a Congregação em Defesa das Religiões Afro-brasileiras - CEDRAD, fundada em 2004 por Mãe Norinha de Oxalá.
        Buscado tornar mais conhecida uma antiga tradição manifestada através das práticas e ritos afro-brasileiros, o documentário constrói uma narrativa que nos leva a um passeio pelo tempo e pelas transformações da cidade de Porto Alegre, sob a perspectiva dos negros.
         Confira o documentário:



          "Conforme a tradição, no centro do Mercado, no meio da encruzilhada que o funda está "sentado" o orixá Bará - entidade responsável pela abertura dos caminhos e pela fartura. Uma tradição que remonta o Mercado como um espaço de reconhecimento e reivindicação da população afro-descendente e da cultura negra da cidade de Porto Alegre." (Filmow. com).

Fontes de Pesquisa: Youtube e Filmow.com

Por Ana Paula de Lima







segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Quando o Terreiro chega na escola: representações das Religiões Afro-brasileiras nos espaços escolares

Cena de Candomblé, Wilson Tibério
Google Imagens, 2016
      Em janeiro de 2003, os movimentos sociais negros, e a sociedade brasileira, alcançaram uma vitória extremamente significativa com a promulgação da lei 10.639 que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira, como tema transversal, nos currículos das escolas (de ensino oficial) públicas e privadas de todo o país. Com a vitória, também vieram os desafios, que ainda hoje permanecem presentes nos espaços escolares e sociais, se mostrando como empecilhos para uma educação democrática e inclusiva que valorize as relações étnicas raciais. Entre os desafios podemos citar: a ausência de formação para os professores trabalharem essas temáticas em suas salas de aulas,  os conflitos sociais e ideológicos que rondam  aspectos da cultura afro-brasileira, como é o caso da religiosidade e o próprio racismo.
          Se faz necessário mencionar que a educação no Brasil nunca foi de fato democratizada, assim, parcelas significativas da população, por motivos econômicos, sociais ou raciais, foram impedidas de se fazerem presentes nas escolas, também sendo negada a inclusão de suas histórias e identidades coletivas nos currículos escolares. Neste entremeio o negro, suas identidades e histórias sempre se mantiveram longe da escola, e da educação formal.
 Isso é perceptível diante das muitas reformas educacionais realizadas no país, em que essa nunca foi de fato uma prioridade, perante essas realidades de descasos os movimentos negros levantaram suas bandeiras de lutas por uma educação democrática e inclusiva, em que homens e mulheres, negros e negras fossem retratados de maneira justa, e não representadas pelos estereótipos da escravidão, da pobreza e da marginalidade. 

Pintura Candomblé de João Alves.
Google Imagens, 2016.
         Quando entramos no campo das religiões de matrizes africanas os desafios ainda são muito maiores, em função das concepções deturpadas que foram sendo construídas sobre as mesmas ao longo do tempo em nosso país. É a "macumba", é o "xangozeiro", o "macumbeiro", entre outras denominações, que imperam nas escolas, sendo este um espaço que deveria primar pelo respeito as todas as crenças e credos, afinal, somos um país laico, e consequentemente as instituições públicas e privadas devem construir espaços de valorização e respeito por todas as religiões.
          Para compreender mais a fundo o porquê de as escolas ainda serem tão intolerantes com relação as religiões de matrizes africanas como o Candomblé, a Umbanda, o Batuque, entre outras, é necessário fazer uma viagem pelo próprio imaginário religioso brasileiro, e nesse sentido, perceber que desde que os povos oriundos da África vieram para o Brasil, através dos processos de escravidão, tiveram seus ritos e suas culturas subalternizadas, em contraposição a religião do europeu. Sendo construídas desde então versões e aversões sobre essas religiões, e mesmo depois de séculos de perseguição, de violência e muitas mortes, em pleno século XXI, as representações que se tem das religiões afro-brasileiras ainda são permeadas desses estereótipos. Mas, é justamente no seio dessas relações que as escolas precisam atuar para desconstruir esses imaginários. É visível que a falta de preparo dos professores e a própria cultura escolar acabam por minar mais ainda os campos das relações sociais religiosas entre os alunos, vezes por outras nos deparamos com reportagens que mostram como nossa educação ainda é intolerante.
          Existem alguns materiais didáticos e paradidáticos que trazem e apresentam as religiões afro-brasileiras para as escolas, como exemplo podemos citar: “O Negro no Brasil de hoje’, um paradidático que traz expressões culturais, históricas e religiosas como o Candomblé, a Umbanda e a Congada, também tem o livro África e Brasil Africano de Marina de Mello e Souza, que traz uma abordagem semelhante a anterior. Também é interessante mencionar aqui o Projeto “A Cor da Cultura” que tem como objetivo divulgar a história e cultura afro-brasileira e africana, trazendo uma abordagem simples e profunda em suas reflexões. 

Livro África e Brasil Africano
Google Imagens, 2016.
Livro o Negro no Brasil de Hoje
Google Imagens, 2016.
          

Logo do Projeto a Cor da Cultura
Google Imagens, 2016.




         Mas a realidade é bem controversa, existe muita resistência por parte dos professores e das próprias coordenações pedagógicas em introduzir nas aulas de forma transversal as religiões de matriz africana, é claro, que pesa também a própria formação desses professores, que não lhes ofereceu os aportes teóricos e práticos necessários para trabalhar essas questões de maneira respeitosa, desmitificando a demonização dessas expressões religiosas. 
          Diante das questões expostas até aqui, primeiro é preciso compreender que os terreiros estão nas escolas, mesmo que seja de maneira totalmente deturpada, maldosa e estereotipada, nossos orixás, nossos mestres, estão lá, em muitos casos, nos nossos filhos de santos que precisam esconder a sua fé, ou conviver com a violência e a intolerância que ainda impera nesses espaços. O ponto chave que toda a estrutura escolar precisa entender é que nossas escolas são plurais, que nossas crenças são diversas, que nosso povo tem o direito de manifestar a sua fé seja ela qual for, afinal nosso país é laico.
          Sabemos que o caminho é longo e cheio de pedras e empecilhos, mas nossos ancestrais conseguiram transmitir tanta sabedoria ao longo dos séculos como a sonoridade de nossos atabaques, a divindade de nossos orixás, as histórias de tantas partes da África, e a perseverança nos tempos adversos para passar para outras gerações todas essas premissas, então nossa luta continua: por uma sociedade mais justa, por escolas democráticas e laicas, e pela formação de indivíduos mais humanos.

Por Ana Paula de Lima

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Documentário Mulheres de Axé: Vozes contra a Intolerância


         Boa noite a todos e a todas, queridos e estimados leitores deste Blog. Hoje estamos trazendo para vocês o documentário "Mulheres de Axé: vozes contra a intolerância", que traz a história de mulheres religiosas do candomblé que se configuram como vozes ativas na luta contra a intolerância religiosa.           

             De acordo com a Produção do filme: “O documentário traz depoimentos que situam o público no debate sobre a intolerância, mesclando com as histórias de vida de personalidades que empenham esta luta em seu dia-a-dia e abordando o significado do dia 21 de janeiro, as dificuldades enfrentadas em suas vidas pessoais por serem do Candomblé, suas experiências vividas com empreendedorismo como mecanismo de sobrevivência”.
       O documentário conta ainda com depoimentos da professora Vanda Machado, egbomi do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, Rita Santos presidente da Associação das Baianas do Acarajé (ABAM), Egbomy Nice, do Terreiro da Casa Branca, a ialorixá do Gantois, Mãe Carmen e a empreendedora Alaíde do Feijão. A trilha sonora é da cantora Marcia Short.
        Esse documentário é resultado de uma parceria do Coletivo de Entidades Negras (CEN), responsável pela organização, e do Governo da Bahia, por meio das Secretarias Estaduais de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), da Casa Civil e de Políticas Públicas para Mulheres (SPM), além da ONG Ação pela Cidadania e da Fundação Cultural Palmares - Minc.
            Vale apena conferir essas vozes que carregam consigo a sabedoria da nossa ancestralidade negra, africana e afro-brasileira, além dos anos de lutas por seus direitos e por uma sociedade laica que respeite todas as crenças.

Fontes de Pesquisas
Youtube:Documentário Mulheres de Axé: Vozes contra a Intolerância

Por Ana Paula de Lima